synopsis

short stories on beauty and appropriation (in portuguese)

Breves histórias de beleza e apropriação

“Breves histórias de beleza e apropriação” são pequenos contos sobre a relação das pessoas com o belo, ou sobre a beleza das pessoas, dos quais tornamos irresistivelmente parte como cúmplices, voyeurs ou espectadores.

Nestas "Breves histórias", Pedro Matos Soares fixou episódios da vida de diferentes personagens, que percebemos mais ou menos próximas da nossa realidade, retratadas num contexto em que a beleza não é, necessariamente, evidente, tanto podendo ser reconhecida nas próprias pessoas como, através de um processo anunciado pelo título, no apropriar de momentos, espaços e imagens.

Assim, a beleza que perpassa nestas imagens, sendo sobretudo a humana, é ainda a das obras artísticas, a das ruas e até a dos espaços interiores, os visíveis e os invisíveis, pelo menos na perspectiva indiscutível daqueles que os vêem e/ou os vivem. Não há, aqui, lugar à relativa despersonalização - incompatível com o próprio conceito de apropriação - dos espaços públicos ou privados que alguns fotógrafos de renome têm tratado: neste trabalho, o centro das fotografias são as pessoas, mesmo quando quase não se vêem. Esta é, de resto, uma constante da obra do fotógrafo, também patente na sua exposição Fridged, recentemente exibida no Centro Português de Fotografia, no Porto, na qual se estabelece uma original associação material-pessoal entre as pessoas e a forma como estas personalizam o exterior dos seus frigoríficos, que perdem em materialidade inerte o que ganham como extensão da identidade dos retratados.

Em “Breves histórias de beleza e apropriação” existe uma visão partilhada e sequencial que permite que todos e cada um de nós, espectadores, nos apropriemos das imagens resultantes dessa outra apropriação original ou primeira feita pelos retratados - e da qual Pedro Matos Soares, por seu lado, também se apropriou - fazendo nossas as histórias que nelas se adivinham, interrogando-as na procura de uma sequência ou de um fim dos quais, provavelmente, nem o fotógrafo, aqui cumulativamente encenador e historiador, tem a chave. Daí que a melhor solução para abordar esta exposição seja mesmo perdermo-nos dentro das fotografias que a compõem, e deixar a imaginação fazer o seu trabalho.

André Dourado | Lisboa 2010